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">SITUAÇÃO DA MULHER NA NEUROCIRURGIA
A presença feminina no mercado de trabalho tornou-se marcante somente após a segunda metade do século XX, porém o seu real papel só foi analisado mais tardiamente nos anos 80, quando se iniciaram os estudos sobre “gênero”. A maior participação no mercado de trabalho dos países desenvolvidos despertou a atenção de antropólogas e sociólogas. No Brasil os dados da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres mostram que as mulheres já são cerca de 40% da população economicamente ativa (SNIG 2000). Dentro da especialidade médica de neurocirurgia inexistem dados exatos sobre este assunto. A própria necessidade de levantar os dados já gera surpresa e a pergunta “para que?” A resposta é muito simples: primeiro para sabermos qual é a situação real da mulher no mercado de trabalho da neurocirurgia, a segunda é avaliarmos se existe algo que impeça especificamente as mulheres de assumirem seus lugares de direito, e terceiro para sabermos se existe uma dificuldade inerente ao gênero ou se a dificuldade se restringe ao “jovem neurocirurgião” independente do gênero. Não podemos julgar sem termos uma base de dados confiável e uma estatística que nos permita dizer se algo existe ou se é somente uma suposição como o tão alegado “preconceito nas áreas cirúrgicas”. Os dados do MEC (2005/2006) indicam que a cada ano no Brasil são formados 12 mil médicos, destes somente 8574 irão realizar uma residência médica em um serviço credenciado. A residência médica foi criada pelo decreto no. 80281 de 05/09/1987, o qual a define como “uma modalidade de especialidade médica dentro de um programa de pós-graduação, que é realizada em instituições de ensino credenciadas, sob orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética-profissional, e ao ser concluída confere ao profissional o Título de Especialista.” Atualmente a residência médica em neurocirurgia ocorre em serviços credenciados pelo MEC e/ou pela SBN. O ingresso nas residências credenciadas pelo MEC ocorre através de concurso público no qual o candidato é avaliado através de uma prova escrita e/ou por uma prova prática-oral. O candidato com maior pontuação obtém a vaga para o treinamento. No ano de 2007 haviam 67 instituições credenciadas no MEC, nas quais 289 residentes faziam o treinamento distribuído por ano de residência da seguinte maneira: R1=79, R2=77, R3=72, R4=61. A partir de 2005 foi instituído como obrigatório o 5º ano de residência. Segundo os dados da SBN no ano de 2006 havia em treinamento 262 residentes do gênero masculino e 27 residentes do gênero feminino, numa proporção 10:1. O trabalho durante a residência é árduo e independe do gênero. As mulheres sofrem mais pressão pelas exigências da vida familiar. Hoje em dia devido aos novos equipamentos e instrumental cirúrgico de qualidade, a história de ser necessário “ter força” para realizar uma neurocirurgia é coisa do passado. O residente que passa na seleção para a residência médica e realiza plenamente o treinamento, recebe ao final o título de especialista do MEC e também o da SBN que foi obtido por várias avaliações durante o treinamento. Inexistem dados sobre o mercado de trabalho após a conclusão da residência, porém observamos que nos grandes grupos que atuam na clínica privada existem somente homens, nos empregos que dependem de concurso público as oportunidades são iguais. Os dados da SBN de 2006 mostram que de um total de 1667 membros, 1556 eram do gênero masculino (95%) e 87 do gênero feminino (5%). No banco de dados da ABNc de 2007 haviam 1313 membros, dos quais 1192 eram do gênero masculino (91%) e 121 do gênero feminino (9%); esta pequena diferença deve-se ao fato de a ABNc aceitar estudantes como “membros” e estes dados são computados de acordo com o total de membros.
O censo dos neurocirurgiões brasileiros realizado pela SBN em 2006 mostrou que São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os estados com um maior número de mulheres neurocirurgiãs. Observamos ao longo dos anos que muitas neurocirurgiãs brilhantes abandonaram a neurocirurgia atuando em áreas afins como a neurorradiologia intervencionista, a neuropatologia e a neurologia. O que leva a estas mulheres a abandonar um treinamento árduo permanece uma questão em aberto. A grande questão “porque tão poucas mulheres resolvem fazer neurocirurgia” também não será respondida até que algum levantamento criterioso, bem fundamentado e bem analisado seja realizado. As americanas possuem o WINS (Women in Neurosurgery), uma organização que visa estimular, orientar e capacitar as mulheres para realizar seus objetivos pessoais e profissionais. Mas o modelo americano pode não ser a resposta as nossas questões, porque ao invés de estimular de uma forma concreta, ele pode ser facilmente entendido como segregacionista e de isolar as mulheres em vez de integrá-las com seus colegas. E finalmente acabarmos fazendo um levantamento da situação atual do “neurocirurgião” independente do gênero.
MEC: Ministério da Educação e Cultura
SNIG: Sistema Nacional de Informação sobre Gênero
SBN: Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
R1: residente no 1º ano de residência
R2: residente no 2º ano de residência
R3: residente no 3º ano de residência
R4: residente no 4º ano de residência
ABNc: Academia Brasileira de Neurocirurgia
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